Voltar ao site

NOTA DE PESAR E LUTO POR ROBERTA

Em luto e pesar, a Frente Popular de Enfrentamento à Transfobia denuncia a morte de Roberta Silva, travesti, mulher negra, que foi queimada viva no dia 24 de junho. Um brutal caso de transfeminicídio. A morte lenta, pública e cruel de Roberta reflete a cultura de extermínio à população trans e travesti e deve ser entendida como parte de uma sucessão de ineficiências do Estado nas suas atribuições, desde a proteção da vida, a assistência dos serviços públicos que dimensionam a cidadania, até a garantia de empregabilidade e qualidade de vida para essas pessoas. 

A morte de Roberta não é um número. É uma vida interrompida e demonstra todas as camadas da vulnerabilidade social desta população que encara uma a vida nas rua, a prostituição como única opção, a falta de acesso a documentos básicos, distância do processo de retificação do nome, e um atendimento administrativo de saúde completamente despreparado para o acolhimento. No caso de Roberta, por exemplo, duas leis foram descumpridas no ato do atendimento de saúde: 17.268/2021 que obriga instituições públicas a respeitar e fazer uso do nome social e 17.292/2021 que obriga hospitais e instituições de saúde a disponibilizarem campos de autodeclaração de identidade de gênero e orientação sexual de pacientes. 

As pessoas trans são empurradas a uma existência invisível, completamente vulnerabilizada e com poucas condições de sobrevida, em consequência da falta de política pública adequada e transversalizada, que some estímulo e acesso à educação, empregabilidade, saúde, sociabilidade, lazer. À Cidadania, em todos os seus âmbitos e nuances. 

O silêncio do estado tem relação direta com esse transfeminicídio. Para nós, omissão também é crime. 

Em nome de Roberta, lamentamos todas as mortes e violências que essa população vem sofrendo. Segundo a Associação Nacional de Trans e Tavestis – Antra, neste primeiro semestre de 2021 um total de 80 pessoas LGBTQIA+ foram assassinadas no Brasil, houve registro de 33 tentativas de assassinato e 27 violações de direitos Humanos. A secretaria de Defesa Social de Pernambuco contabiliza 13 pessoas assassinadas e mais de 1.100 agressões. Números que são subnotificados, pois não há sequer a produção de dados pelo sistema de saúde e de segurança a partir da identidade de gênero. 

Lamentar e sentir dor, no entanto, não é suficiente

A Frente, formada pelo mandato estadual das Juntas (PE), pelos mandatos municipais de Dani Portela, Ivan Moraes, Cida Pedrosa e Liana Cirne (Recife), Vinicius Castello (Olinda), Flávia Hellen (Paulista), Perpétua Dantas (Caruaru), e pelos movimentos Amotrans, GTP+, FonaTrans, FrenteTransPE, Leões do Norte e Natrape objetiva conter a escalada de violência e repactuar a atenção à população trans e travesti em Pernambuco e nos municípios, de modo que a prevenção e o enfrentamento à violência sejam concomitantes a políticas públicas adequadas e construídas em conjunto com o movimento, em franca transparência, e em parceria com o poder legislativo, a quem também cabe fiscalizar as ações executivas. 

A Frente está aberta ao diálogo e disponível para a construção coletiva de um novo patamar de cidadania para a população LGBTQIA+. Só não aceitará o silêncio. 

Todos os Posts
×

Quase pronto…

Acabámos de lhe enviar um email. Por favor, clique no link no email para confirmar sua subscrição!

OK

...