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Live das Juntas com mestres e mestras celebrou o primeiro Dia do Cavalo Marinho em Pernambuco

Cultura, poesia, histórias e toadas marcaram a live em homenagem ao Cavalo Marinho, em noite embalada pela notícia da sanção da Lei Aldir Blanc, que apoiará a cultura em todo o país.

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A semana começou com muita música e histórias relacionadas ao primeiro dia do Dia do Cavalo Marinho em Pernambuco. As codeputadas Juntas realizaram uma live, na segunda-feira (29), para festejar a data, que foi inserida no calendário oficial de Pernambuco depois do Projeto de Lei nº 728/2019 de sua autoria ter sido sancionado em março deste ano. O Cavalo Marinho, apesar de fazer parte do ciclo natalino, tem sua presença marcada durante todo o ano, nas festas municipais e eventos culturais, iniciando os ensaios justamente no dia 29 de junho, por isso a escolha da data. O apoio à cultura pernambucana é um dos eixos políticos da mandata das Juntas, que tem feito um trabalho ainda mais intenso nesta pandemia, buscando fortalecer quem faz a cultura e tudo o que ela representa.

O encontro virtual contou com a participação de diversos mestres e mestras do brinquedo Cavalo Marinho, principalmente da região da Zona da Mata Norte do estado, berço desta tradição. As deputadas abriram o evento agradecendo a presença online de todas e todos, pois foi o primeiro ano de celebração oficial, fato marcante para a cultura. Houve também a presença da intérprete de Libras da mandata, Deise Souza, levando acessibilidade para os internautas, uma pauta sempre presente nas Juntas.
Mestra Moca Salu, da família Salustiano, foi a primeira a se apresentar, representando o grupo Flor de Manjerona, formado unicamente por mulheres, uma vitória na história do feminismo. Ela explicou que antigamente era proibida a participação de mulheres no brinquedo. Sua luta pelo direito de estar presente como mulher começou desde cedo e foi com muita insistência que convenceu seu pai a deixá-la colocar a figura do Vaqueiro, um dos personagem mais complexos e o favorito de Mestre Salustiano.
A conversa seguiu com Mestre Grimário, do Boi Pintado, fundado por ele em 1993. Grimário falou sobre sua história com o brinquedo, que iniciou aos oito anos. Hoje, ele é o presidente do Conselho de Cultura de Aliança e já ganhou dois prêmios de cultura, o “Selma do Coco Prêmio de Culturas Populares” pelo MINC e o “Mestres e Mestras do Cavalo Marinho” pelo IPHAN.
Entre um resgate histórico e outro, uma cantoria com batuque. A mestra Nice Teles, do Estrela Brilhante e do grupo infantil Estrelas do Amanhã, animou a noite. Nice é uma das pioneiras nesse espaço, pois a tradição no Cavalo Marinho é de família. Seu trabalho com as crianças e adolescentes no Cavalo Marinho, em Condado, é essencial no processo de criação e preservação do patrimônio cultural e da memória coletiva, passando valores morais e éticos, como o respeito pela arte.
O Cavalo Marinho envolve diferentes aspectos, como músicas, coreografias, movimentos e poesias, como um teatro folclórico. As Juntas entendem que essa valorização do brinquedo é fundamental para perpetuar a cultura. Diante de um governo que ataca constantemente a classe artística, foi uma grande conquista inserir na agenda oficial de Pernambuco o Dia do Cavalo Marinho.
Ademilton Barros, que é rabequeiro e professor, foi representando o Boi Maneiro, de Itambé. Ele homenageou os grupos brincantes por todo esforço e dedicação em manter a memória dos atores sociais. Esses aspectos dos Cavalo Marinho também foram exaltados por Helder Vasconcelos, do Boi Marinho e um dos fundadores do grupo Mestre Ambrósio. Helder disse que o brinquedo tem sua própria força. Ele promove oficinas de formação cultural, desde o final da década de 90.
Mesmo com atividades de promoção à cultura regional, os brincantes, mestres e mestras do Cavalo Marinho estão enfrentando grandes dificuldades para se manter durante a pandemia do novo Coronavírus. A Folgazã Andala Quituche, do Boi Pintado, trouxe a difícil realidade dos grupos. Andala é uma defensora do Cavalo Marinho, sempre envolvida na luta pela valorização dos artistas. Ela, junto com outras pessoas da área, criaram a Campanha Alimenta o Terreiro, um coletivo solidário que arrecada doações de cestas básicas e mantimentos de higiene para ajudar os grupos de Cavalo Marinho.
Mestre Biu Alexandre, do Estrela de Ouro, fundado por ele em 1979, exaltou o trabalho de Andala Quituche. Biu, em 2017, ganhou o prêmio “Ariano Suassuna” através de edital público da Secretaria de Cultura de Pernambuco. Sua família está envolvida no Cavalo Marinho, o que contribui com o ensino e aprendizado que a brincadeira passa para as novas gerações de brincantes. Ele disse que começou cantando no banco. O banco, no Cavalo Marinho, é um conjunto musical, formado pelos instrumentos rabeca, pandeiro, bages e mineiro. Quem canta são os toadas e quem toca chamados de baianos. É formada uma roda e a brincadeira (folguedo) pode durar até oito horas, seja na rua, no pátio de uma igreja ou na praça.
Para fechar a celebração, as codeputadas ainda tiveram a notícia de que foi sancionada a Lei Aldir Blanc, um marco para a cultura no país, levando recursos direcionados para os artistas e subsídios para espaços culturais. Um passo importante para os representantes do Cavalo Marinho, que estão nessa busca, como foi dito anteriormente.
As Juntas estão dialogando com a classe artística para conseguir mais investimento do estado para a cultura. O Cavalo Marinho, mais do que dança e música, está ligado com questões socioculturais, relações e ideias. A live reforçou a busca por mais oportunidades para quem vive da cultura popular.

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