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Justiça por Miguel é o assunto do discurso das Juntas

O caso de Miguel ficou conhecido internacionalmente e virou um símbolo de racismo estrutural

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Representando a mandata das Juntas, a codeputada Jô Cavalcanti discursou na sessão plenário virtual da Assembleia Legislativa de Pernambuco desta quinta-feira (16) sobre o ato realizado ontem em Recife, pedindo justiça por Miguel. 

Jô Cavalcanti contextualizou o crime, relembrando que o menino Miguel morreu ao cair de um prédio de luxo na área central do Recife, após ser deixado sozinho no elevador do condomínio por Sarí Corte Real, então patroa de Mirtes, mãe de Miguel, que trabalhava no local como empregada doméstica e tinha saído pra levar a cadela da família para passear. Ontem (15) aconteceu a segunda audiência de instrução do caso, o que motivou mais um manifesto #JustiçaPorMiguel.

A codeputada lembrou que a morte de Miguel é um caso que expõe o que o racismo pode causar na vida das pessoas negras em todo o Brasil. “Foi o racismo que matou Miguel”, destacou, acrescentando que é esse mesmo racismo que autoriza várias pessoas a inocentar a acusada, ao afirmar que ela não “podia saber” que ia acontecer alguma coisa com Miguel quando o deixou sozinho no elevador. A defesa de Sarí Corte Real insiste que ela não conseguiu controlar Miguel e fez tudo que podia, e que ele era uma criança “desobediente e incontrolável”. O racismo funciona assim, sempre culpabilizando a vítima. 

O caso de Miguel ficou conhecido internacionalmente e virou um símbolo de racismo estrutural. Os movimentos sociais organizações da sociedade civil, a população do Brasil e diversos países se juntaram a Mirtes nessa luta pela justiça por Miguel. 

A morte de Miguel também traz à tona as condições precárias das trabalhadoras domésticas, especialmente nesse período de pandemia. No dia da morte de Miguel, Mirtes teve que levar o filho para o trabalho, porque não tinha onde nem com quem deixá-lo. Apesar de o Governo do Estado não classificar o trabalho doméstico como atividade essencial, os patrões de Mirtes mantiveram ela trabalhando até o dia em que Miguel morreu. 

As trabalhadoras domésticas são uma das categorias mais expostas aos riscos de contaminação e à várias formas de desrespeito e violência durante todo esse período de pandemia que vivemos desde Março de 2020. 

A codeputada finalizou o discurso homenageando Lenira Carvalho, fundadora do Sindicato das domésticas e da Central Única dos Trabalhadores de Pernambuco. Uma figura histórica e fundamental para a categoria das trabalhadoras domésticas que faleceu no dia 3 de agosto. A codeputada também se solidarizou com a luta de Mirtes por Justiça por Miguel. 

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