Voltar ao site

JUNTAS levam à tribuna da Alepe ações voltadas à população LGBTQIA+

As codeputadas listaram as leis aprovadas pela mandata e denunciaram as violências sofridas por essas pessoas, como as que aconteceram com Kalyndra da Hora e Roberta

· NOTÍCIAS,DISCURSOS

Na semana do Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, as codeputadas Juntas (PSOL-PE) repercutiram em seu discurso na plenária virtual da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) desta quarta-feira (30) as diversas ações que o movimento LGBTQIA+ organizou em junho, o mês da diversidade, que tem como símbolo maior o dia 28 e trouxeram à tona os casos de Kalyndra da Hora, mulher trans assassinada, e Roberta, também mulher trans que foi incendiada recentemente, ambas em Recife.

As Juntas, representadas pela codeputada Jô Cavalcanti, destacaram que, diferente do dia 17 de maio, que os esforços se concentram para denunciar a LGBTfobia, o dia 28 de junho serve exatamente para dar visibilidade a outros horizontes de vida. É o dia e o mês para que todas as LGBTs orgulhem-se de serem o que são. Entretanto, as codeputadas afirmaram que ano após ano seus discursos, falas e atos orgulhosos são interrompidos pela necessidade de denunciar uma série de violências e atrocidades que recaem sobre os corpos das pessoas LGBTQIA+. Este ano, infelizmente, não foi diferente. No mês do orgulho LGBT, em menos de 10 dias, elas precisaram denunciar duas violências brutais contra mulheres trans em Pernambuco.

A primeira delas foi o assassinato de Kalyndra da Hora, mulher trans de apenas 26 anos, que foi asfixiada, trancada em sua casa e teve seu corpo encontrado após alguns dias. O principal suspeito encontra-se solto, apesar de todos os indícios apontarem para ele. O segundo é o caso de Roberta, mulher trans que foi incendiada viva, teve 40% do seu corpo queimado e encontra-se em estado grave no Hospital da Restauração, tendo realizado a amputação de um braço e correndo risco de amputar o outro. As Juntas vêm acompanhando de perto o caso de Roberta e afirmam terem ficado perplexas que nem mesmo sofrendo esta crueldade, as instituições e alguns servidores públicos não conseguiram respeitar o nome social de Roberta e tratá-la no feminino.

Além disso, as codeputadas falaram que, enquanto amparavam Roberta, publicizavam o seu caso e acionavam o Poder Público para que acolha mais esta mulher violentada, foram interpeladas por mais denúncias LGBTfóbicas. Desta vez de uma escola em Aldeia, na cidade de Camaragibe, Região Metropolitana do Recife, que, sob o argumento de defender uma educação cristã, estava violando a Lei de Diretrizes e Bases da Educação e propagando discurso de ódio contra pessoas LGBTQIA+.

As parlamentares da mandata coletiva afirmaram que não querem resumir a sua profunda e importante luta às pautas que uma sociedade violente impõe. Elas pontuaram que a cada 26 horas morre no Brasil uma pessoa LGBTQIA+ em razão da sua identidade de gênero ou orientação sexual, fazendo com que o nosso país seja o mais violento do mundo para essa população, segundo o último relatório do Grupo Gay da Bahia. Da mesma forma, o relatório da Associação Nacional de Travestis e Transexuais denuncia que mais uma vez o Brasil permaneceu na posição de país que mais mata travestis e transexuais do mundo.

Entretanto, as Juntas disseram que o esforço que elas queriam fazer no discurso de hoje era de visibilizar demandas e pautas que vão para além da sobrevivência da população LGBT. Obviamente, elas querem corpos LGBTQIA+ vivos, mas querem também esses mesmos corpos vivos com uma política de atenção integral de saúde; com políticas habitacionais que considerem suas composições de família; com uma política da assistência social que defina a orientação sexual e identidade de gênero como critérios; e com uma educação que pare de expulsar essas pessoas das escolas, universidades e dos postos de trabalho.

As Juntas reafirmaram que é urgente que o Governo de Pernambuco e a Prefeitura de Recife tomem atitudes para acolher casos como o de Kalyndra e Roberta, mas que também já passou do tempo de construírem uma política consolidada que foque na prevenção desses casos, que criem estratégias de acolhimento de LGBTs expulsas de casa e que garantam condições de que essas pessoas vivam bem, envelheçam bem e resgatem suas humanidades. As codeputadas apontaram que pode até parecer ousado durante uma pandemia que já dizimou mais de 500 mil brasileiros, durante o Governo de Bolsonaro, elas irem à tribuna falar de vida, sonhos, desejos e direitos, mas é essa a ousadia que há alguns anos ocupava as ruas nas paradas da diversidade, que ocupa as redes e agora ocupa também a Assembleia Legislativa.

Atuação das Juntas dentro da Alepe

Das cinco codeputadas das Juntas, três são LGBTs. Durante o discurso, Jô Cavalcanti fez uma saudação para a codeputada Joelma Carla, que é bissexual; para a codeputada Kátia Cunha, que é lésbica; e para a codeputada Robeyoncé Lima, que é uma mulher transexual, que através de uma intensa articulação com o movimento têm conquistado avanços significativos para esta população aqui no estado.

As Juntas já conseguiram aprovar seis Projetos de Lei par a população LGBTQIA+, oito emendas parlamentares para esses grupos e, o mais importante, têm colocado a mandata para escuta, acolhimento e fortalecimento dessa população. Nesse mês do Orgulho LGBTQIA+, apesar das violências absurdas denunciadas na tribuna desta quarta-feira, as codeputadas terminaram desejando que a esperança e força das mulheres trans que se organizaram e denunciaram os casos, que se articularam para organizar um ato simbólico contra essas violências e de todo o movimento LGBTQIA+ que tem possibilitado que as histórias da população LGBT possam ser histórias de vidas, sonhos e vitórias.

Por que o dia 28 de junho

Esse dia foi escolhido porque em 28 de junho de 1969, em um bar chamado Stonewall Inn, na cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos, houve uma rebelião da comunidade LGBT, que frequentava o local. Essas pessoas resolveram enfrentar os policiais americanos que rotineiramente promoviam batidas e revistas humilhantes em bares frequentados pelo público. O confronto durou alguns dias, com várias manifestações de rua, com participação não só de pessoas LGBTQIA+, como também de pessoas que apoiavam a luta dessa comunidade por direitos e respeito. Esta movimentação desencadeou processos e revoltas em todo o mundo e organizou as primeiras Marchas de Orgulho LGBT pelos países afora.

Todos os Posts
×

Quase pronto…

Acabámos de lhe enviar um email. Por favor, clique no link no email para confirmar sua subscrição!

OK

...