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JUNTAS fazem escuta a povos tradicionais em Itacuruba contra a instalação da Usina Nuclear no território

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Texto: Whodson Silva e Yane Mendes

Antropólogo - Projeto Nova Cartografia Social

Nos dias 27 e 28 de outubro, as Juntas Codeputadas percorreram 06 comunidades tradicionais no município de Itacuruba, para realizar escutas com aproximadamente 200 pessoas na região.

Durante as rodas de diálogo, foram expostos os diversos argumentos que fazem estas comunidades tradicionais repudiarem a instalação de uma central nuclear no município. Entre as questões expressas está os impactos às existências e projetos de futuro coletivo. A “nova” Itacuruba reflete, ainda, os danos causados pela Usina Hidrelétrica de Itaparica, que em 1988 realocou forçadamente toda a população que hoje somatiza problemas que vão desde a saúde pública à inoperância do Estado na demarcação dos territórios tradicionais.

Na escuta, a população colocou seu descontentamento com as notícias midiáticas e as opiniões parlamentares que apresentam dados econômicos e técnicos que desconsideram a opinião pública e estigmatizam a população como ignorante e manipuláveis por dinheiro, tal qual faziam na instalação do megaempreendimento anterior. Ignora-se as culturas locais, os valores e a autonomia dessas populações em decidirem sobre suas próprias vidas.

As comunidades tradicionais em Itacuruba, sobretudo, apontam variadas sugestões de como o poder público poderia fortalecer a economia da cidade sem ser por meio de construção de 06 reatores nucleares no Rio São Francisco. Por exemplo, através do investimento em projetos de energia solar.


Há comunidades que sequer são atendidas com a energia elétrica e questionam quem se beneficiaria com esse desenvolvimento, já que este explicitamente não beneficiaria a população de Itacuruba.

Repugnam como são chamados de '4.000 almas', o que supõe um apagamento das histórias e das reais necessidades da população que carece de investimentos, que incluem educação, energia elétrica, espaços de lazer e, principalmente, o investimento na saúde, já que Itacuruba foi apontada em 2006 como a cidade no Brasil que mais se utilizava de remédios ansiolíticos e detinha os maiores índices de suicídio, justamente em decorrência dos impactos da Usina de Itaparica.

A organização do povo contra a usina tem estabelecido uma série de enfrentamentos antinucleares, que têm se expandindo por Pernambuco. Esse Movimento Antinuclear incorpora povos e comunidades tradicionais, setores ligados a igreja católica, grupos de pesquisa das Universidades, entre outras instituições. As Juntas somam-se a essa luta e afirmam o NÃO à usina nuclear em Itacuruba, no Nordeste e no Brasil.

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