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Juntas fazem discurso em defesa da visibilidade lésbica

As parlamentares homenagearam Josenita Duda, liderança feminista e lésbica e alertaram para a falta de atendimento especializado na saúde.

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Está chegando o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica e as Juntas, que têm como pauta e também lugar de fala, fizeram o discurso, na plenária virtual desta quinta-feira (27), na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), em apoio a luta das companheiras lésbicas. A data já é no próximo sábado (29) e marca sua criação, em 1996, durante o 1º Seminário Nacional de Lésbicas.
 

Como uma mandata feminista, antirracista e contra todas as formas de discriminação e opressão, as codeputadas afirmaram seu total repúdio às várias manifestações de lesbofobia que atingem as mulheres lésbicas. Esse é um segmento que está conquistando cada vez mais espaço em diversos setores da sociedade, no entanto, ainda sofre muita discriminação e violência cometidas no dia a dia. É triste saber que a sociedade rejeita a identidade dessas mulheres e nega o direito de viverem sua sexualidade livremente.

Durante a fala, as parlamentares denunciaram as dificuldades enfrentadas, além de informações sérias. Existe um grande problema, que é o fato do sistema de saúde não atender corretamente as pessoas LGBTQIA+ e essa negligência se espelha na falta de orientação, por exemplo, sobre sexo seguro e o despreparo de ginecologistas para atender mulheres que se relacionam com mulheres. Faltam campanhas de prevenção de infecções sexualmente transmissíveis e métodos de proteção específicos para lésbicas.
Uma pesquisa, publicada pela Rede Feminista de Saúde, apresenta dados que demonstram as desigualdades de acesso aos serviços de saúde pelas lésbicas e mulheres bissexuais. Com relação às mulheres que procuram atendimento, cerca de 40% não revelam sua orientação sexual, porque têm medo de serem discriminadas. Entre as mulheres que revelam, 28% dizem que são atendidas com maior rapidez pelos médicos, que não dedicam a mesma atenção como fazem às outras mulheres e 17% afirmam que os médicos não solicitam exames que elas consideram como necessários.
As Juntas entendem que, independente de ter relações sexuais com homens, com pessoas do mesmo sexo ou com ambos, toda mulher deve ser atendida em suas necessidades, livres de preconceito e discriminação. A lesbofobia constantemente é praticada através de violência física, como espancamentos e estupros corretivos. Esses estupros corretivos se dão quando homens violentam mulheres lésbicas para tentar corrigir sua sexualidade, que eles consideram como um defeito.
Uma pesquisa chamada Dossiê do Lesbocídio, publicada em 2018, traz dados muito graves sobre as violências cometidas contra esse segmento. Ela informa que pelo menos 126 lésbicas foram assassinadas no Brasil entre 2014 e 2017; só em 2017, foram 54 casos — um aumento de mais de 237% em relação a 2014. Cerca de 70% dos assassinatos de lésbicas aconteceram em espaços públicos e 43% dos assassinos eram pessoas desconhecidas para as vítimas. Outro ponto relevante é que mais de 80% das mortes foram causadas por homens.

Esse levantamento foi feito a partir de dados coletados em redes sociais, sites, jornais e outros veículos de mídia. Por isso, esses números provavelmente ainda são distantes da realidade, já que não existem dados ou informações oficiais voltadas a questão do lesbocídio. Na equipe da mandata há várias pessoas que assumem essa identidade, sendo esta uma agenda importante para as Juntas e que deve ser considerada essencial para toda a sociedade.

As codeputadas reafirmaram a necessidade de haver políticas de saúde que garantam um atendimento e tratamento adequado à realidade e necessidade específica de cada mulher. É preciso que o Estado garanta os direitos de todas as pessoas, independente de sua cor, sexo, identidade de gênero e orientação sexual. Quase não existem políticas públicas para lésbicas, que são de extrema importância para o exercício do direito a uma vida digna e livre de violência. No âmbito de direitos, os diversos movimentos de mulheres lésbicas levantam bandeiras pelo fim do lesbocídio, para que suas vidas deixem de ser marcadas pela violência, inclusive lutando pelo direito à moradia, porque muitas delas, ao assumir sua identidade, são expulsas de casa.

Ao final do discurso, as Juntas prestaram uma homenagem a Josenita Duda, que foi uma grande liderança do movimento feminista e do movimento de lésbicas, reconhecida tanto em Pernambuco como nacionalmente. Nita, mais conhecida como Jô de Camaragibe, faleceu este ano, sendo uma grande perda, não só para o movimento de lésbicas, mas para todo o movimento que luta pelos direitos das mulheres em suas diversas identidades.

Antes de encerrar o pronunciamento, a codeputada Jô Cavalcanti, representando as Juntas, solicitou à mesa diretora e a Comissão de Ética um posicionamento sobre o andamento das duas representações que foram protocoladas pela mandata na semana passada. Os fatos tratados nesses processos são extremamente graves e, por isso, é importante o pronunciamento da Alepe frente à sociedade pernambucana. Josenita Duda, presente!

*Foto tirada antes da pandemia no Seminário de Mulheres Lésbicas e Bissexuais

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