Voltar ao site

Juntas criticam retomada das atividades econômicas em discurso na Alepe

As codeputadas alertaram para a interiorização da pandemia e defenderam medidas de prevenção nos locais de trabalho.

· NOTÍCIAS

As codeputadas Juntas, na plenária virtual da Alepe desta quinta-feira, 11, expuseram a preocupação com a forma como vem sendo feita a retomada das atividades econômicas em Pernambuco pelo Governo do Estado. As parlamentares levaram em consideração as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e as consequências negativas por causa do fim do isolamento social.

Sobre as recomendações da OMS e dos especialistas:
As Juntas se posicionaram pelo atendimento das recomendações da Organização Mundial de Saúde, que estabeleceu critérios que devem ser atendidos pelos planos de retomada da economia de gestores públicos, para evitar que os casos voltem a aumentar. Entre as medidas, consta que a transmissão da Covid-19 deve estar controlada, o que não é o caso de Pernambuco. No Estado, os número estão oscilando e a redução ainda não foi significativa.
Um dos pontos levantados foi que a testagem no estado ainda está longe de ser a ideal. O sistema de saúde deve ser capaz de detectar, testar, isolar e tratar todos os casos, além de traçar todos os contatos. Os riscos de surtos devem estar minimizados em condições especiais, como instalações de saúde e casas de repouso. As deputadas criticaram a insuficiência da fiscalização sobre o cumprimento das medidas estabelecidas pelo Governo, como é mostrado todos os dias na mídia, que exibe as várias situações onde as regras não vêm sendo respeitadas. As ações preventivas devem ser adotadas em locais de trabalho, escolas e outros lugares onde seja essencial as pessoas irem.
A mandata trouxe ao discurso os riscos de importação de produtos, que devem ser administrados adequadamente e defendeu que as comunidades devem receber informações e estímulos para que estejam educadas, engajadas e empoderadas para se ajustarem à nova norma. Os investimentos feitos pelo Governo do Estado para ações desse tipo nas periferias foram mínimos. Além das recomendações da OMS, foi lembrado que o Comitê Científico do Consórcio Nordeste para a Covid-19 recomenda cautela na reabertura das atividades e a manutenção do isolamento social na região metropolitana de recife.

Resultados do lockdown:
 

As Juntas destacaram que o lockdown foi uma medida correta do Governo do Estado e teve um retorno positivo, mas infelizmente os resultados ainda não são suficientes para que se relaxe no rigor das medidas de contenção da contaminação. Enquanto não houver vacina contra a Covid-19 ou um tratamento específico para evitar complicações da doença, o isolamento social é considerado a alternativa mais eficaz para combater a epidemia.
 

Interiorização da pandemia:
 

O alastramento de casos para o interior do estado foi uma das grandes preocupações demonstradas pelas codeputadas. Já são 182 municípios com casos da Covid-19, do total de 184 no estado. Quando se observa a evolução dos casos em cada macrorregião de Pernambuco, é perceptível que a contaminação pelo coronavírus tem extrapolado, de forma crescente, a região metropolitana de Recife.
 

O Agreste, o Sertão, o Vale do São Francisco e Araripe estão passando pelo que a capital vivenciou em março. A maioria dos municípios do interior não conseguiu atingir 50% de isolamento social. É importante ressaltar que Caruaru já está sendo apontada como possível novo epicentro da pandemia, pois seu papel estratégico no estado pode ajudar a acelerar a interiorização da Covid-19. A facilidade da contaminação é por ter uma intensa circulação pela cidade, tanto de pessoas que vêm de Recife, como de outros municípios e regiões também, por causa do polo têxtil.
 

Deve ser levado em consideração que Pernambuco ainda não passou para o estágio de superação da pandemia, no entanto, muitas cidades já estão fazendo um relaxamento das medidas de isolamento social, retomando as atividades de forma acelerada.
 

A aceleração da retomada das atividades:
 

A mandata afirmou que o Governo do Estado não está cumprindo com seu anúncio de retomada gradativa das atividades econômicas. Atendendo à pressão de setores da economia, o governador antecipou várias etapas do plano de convivência que foi divulgado. O próprio plano já era arriscado, tendo em vista que desconsidera algumas das recomendações da OMS, como, por exemplo, a testagem massiva e por não cumprir de forma integral as outras.
 

As atividades que estavam previstas para iniciar dia 15, foram iniciadas dia 8, tais como shopping centers (que estão operando com pontos de entrega de mercadorias e atendimento delivery de praças de alimentação); construção civil (que deveria estar com horário reduzido, mas foi liberada para funcionar em horário livre antes do previsto); consultas de algumas especialidades médicas (que começaram ontem, dia 10, com a abertura de clínicas e consultórios); e o comércio varejista de bairros e dos centros.
 

Apesar da população estar informada sobre manter as medidas de prevenção – com o uso de máscaras, distanciamento de 1,5m entre as pessoas e higiene rigorosa, com lavagem constante das mãos e uso de álcool gel – o que pode ser notado é que essas normas não estão sendo seguidas com rigor.
 

Diante da grande dificuldade enfrentada, a Juntas fizeram os seguintes questionamentos: quais foram os critérios que o Governo usou para liberar e antecipar as atividades? Qual a justificativa para o Governo dialogar apenas com os empresários e ignorar as orientações dos especialistas e também não fazer nenhum diálogo com a sociedade civil?
 

O custo dessas decisões não será apenas para os cofres públicos, caso se tenha que retomar as medidas mais rigorosas de quarentena. Essa aceleração do mercado vai custar mais vidas às famílias pernambucanas. As Juntas exigem respostas do Governo do Estado e também providências de maior fiscalização, para que pelo menos as medidas de prevenção sejam seguidas corretamente.

Todos os Posts
×

Quase pronto…

Acabámos de lhe enviar um email. Por favor, clique no link no email para confirmar sua subscrição!

OK